O Futuro chegou mais cedo

Por o 6 Abril 2020

Subitamente, estamos a enfrentar um inimigo invisível, a viver em quarentena, isolados do contacto social e a aprender, a trabalhar, a ensinar e a divertirmo-nos remotamente. O COVID-19 impactou brutalmente o nosso estilo de vida e a verdade é que só agora nos começamos a aperceber que, após isto, não seremos os mesmos.

Essencialmente porque a nossa relação com a distância mudou. Graças a ferramentas tecnológicas, o nosso atual estado de isolamento não nos converteu num bando de eremitas mas permitiu-nos manter-nos juntos. Basta agora uma representação do Outro – uma janela de videoconferência, um avatar ou uma voz – para manter ou até mesmo iniciar uma relação. A distância já não nos separa, porque a tecnologia permite mais do que comunicar – permite apresentar e discutir visualmente tudo, através de vídeos, animações, emojis ou memes e tudo no meu ecrã, à minha frente.

 

Da mesma forma, nas organizações

Aprendemos a trabalhar remotamente com o auxílio de ferramentas de partilha de ecrã, acesso remoto a computadores e vídeoconferências. Hoje, muitas empresas de serviços já têm todo o seu negócio assente em processos de trabalho remoto. Contudo, existem diversos setores onde estas ferramentas não são suficientes para transformar o negócio físico em remoto. E é precisamente aí que entram a Realidade Virtual (VR) e a Realidade Aumentada (AR).

 

 

Vamos rapidamente estabelecer a diferença:

Realidade Virtual substitui a Realidade física por uma digital. Ao envolver o utilizador num ambiente imersivo 3D ou filmado em 360º, este está vendado por óculos opacos e em contacto exclusivamente com objetos e cenários digitais. Já a Realidade Aumentada sobrepõe elementos digitais à Realidade física, permitindo que eu consiga visualizar tanto o mundo físico como os elementos digitais sobrepostos e possa interagir com ambos – daí muitas das vezes associarmos estes elementos digitais aumentados a “hologramas”, pela experiência que a maior parte dos filmes de Ficção Científica nos trouxe.

Tanto a VR como a AR exponenciam esta transformação da distância de que vos falei atrás, porque elas têm o poder de alterar o significado dos espaços, ao alterar a sua perceção. A habilidade que a Realidade Virtual tem de colocar um estudante de Medicina no meio de uma sala de cirurgias a aprender, quando ele na realidade física está na sua sala de estar, é transformadora da distância – porque a elimina. A sala de estar transformou-se na sala de cirurgia e ele está a aprender visualmente, tendo em conta essa sua nova perceção.

Da mesma forma, com Realidade Aumentada, um gestor de linha de produção fabril pode ver numa outra sala o novo módulo industrial que a sua empresa instalará no mês seguinte e convidar a sua equipa a ver o equipamento e a perceber como o instalar e manter um mês antes deste chegar. Qualquer sala tem assim a oportunidade de capacitar um trabalhador. E isto porque o vazio físico foi preenchido com um objeto digital. 

 

Mas não se trata apenas de formação e ensino

O COVID-19 afetou praticamente todos os setores da Economia e a VR/AR ajuda na criação de modelos de negócio remotos, porque vão além dos ecrãs, porque eliminam distâncias e porque permitem uma interação física com objetos digitais.

Três dos principais setores da Economia afetados pelo COVID-19 são o Turismo, a Indústria e o Retalho. O vírus encerrou-nos numa quarentena e mesmo quando sairmos dela, não saberemos quando isto volta a acontecer e por isso mesmo devemos estar preparados.

 

  • Por isso mesmo, o negócio do turismo já mudou. A indústria de eventos procura agora fórmulas para criar experiências próximas do real para os seus utilizadores. As agências e produtoras organizadoras de eventos começam a ganhar competências de VR/AR para receberem eventos exclusivos em ambientes surreais, lançamentos de produtos em casa dos utilizadores ou vários speakers a sentarem-se no sofá da sua sala. Quando regressarmos aos eventos físicos, o acesso remoto e oportunidades de negócio VR manter-se-ão como uma característica assumida, o que irá acelerar o número de participações e interações remotas em eventos – só isso significará um admirável negócio novo.    

  • O acesso remoto é uma ferramenta já bastante disseminada no mercado industrial – o que vemos hoje é o crescimento desta tendência anterior de transformação. Por exemplo, encontramos produtos de AR para acompanhamento remoto de intervenções, que permitem a especialistas ausentes por doença orientarem os técnicos no local e concluírem auditorias, inspeções ou ações de manutenção preventiva. 

  • Da mesma forma, o retalho é um mercado onde já encontramos diversas experiências de VR/AR disponíveis para smartphone. Apps como o IKEA Place já colocam produtos digitais nos espaços de loja. A L’Oreal muda a cor e coloca mais de 20 mil produtos de cosmética nas caras dos seus utilizadores, através das suas apps ModiFace. O e-commerce aumentado vai crescer ainda mais, porque reduz a taxa de devolução e aumenta a satisfação do consumidor. E, para além disso,  facilitar a criação de um novo imenso mercado – o e-commerce de serviços.

 

São várias as oportunidades criadas pela redução da distância e a tecnologia está madura  – por isso, faz sentido falarmos destes e doutros setores com exemplos concretos na próxima edição do webinar gratuito da CEGOC “New tools for new jobs: Acelerar a colaboração remota através da Realidade Virtual e Aumentada“. Neste momento, tudo depende da nossa capacidade de adaptação e de tirarmos partido das ferramentas já existentes.

Inscreva-se o quanto antes, porque o Futuro está a chegar mais cedo. 😊  

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Responsável digital

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