Transformação Digital na Gestão de Eventos?

Alina OliveiraConsultora, Formadora e Coach

Todos os anos o mês de outubro é significado de um incremento significativo da oferta de eventos de Gestão das Pessoas/RH em Portugal. Este ano não foi exceção. Esta tendência não é apenas local, existindo também uma proliferação de eventos a nível internacional, facto que nos permite garantir alguma comparabilidade. Neste artigo decidi focar-me num único indicador: a adoção do digital.

 

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O papel do digital nos eventos

Em pleno século XXI, e sabendo do papel preponderante que o digital hoje assume de uma forma transversal a diversas gerações, como estão os organizadores de eventos portugueses a usar esse potencial?

A resposta é muito simples, não estão!

Qualquer evento, seja ele cultural, desportivo, associativo ou outro, pode ser segmentado em 3 momentos: pré-evento, evento, pós-evento.

No que ao pré-evento diz respeito a larga maioria de organizadores nacionais já se apercebeu que, tendo como objetivo alargar a base de contacto e a notoriedade de um evento, as redes sociais, e em particular o Facebook, permitem garantir resultados interessantes a baixo custo e como tal são já vários os exemplos de criação de eventos nessa rede social. Mas que conteúdo é publicado nesses eventos digitais? Na maioria dos casos, nada. Como é fomentada a participação do público-alvo nessas páginas de eventos? Simplesmente não é. Quantos eventos nacionais têm uma hashtag associada? Na área Gestão de Pessoas/RH, nenhum.

 

Gestão de eventos - Será para todos?

Esta última questão leva-nos à gestão do evento em si. Num mês, altamente profícuo em termos de eventos, permitiu-nos efetuar a comparação entre 2 eventos que estavam a ocorrer em simultâneo, um em Portugal e outro em França. Diferenças? Muitas. Estando em Portugal a assistir in loco ao evento, estava ligado no Twitter a acompanhar o evento francês. O evento português não tinha nenhuma hashtag e o evento no Facebook não tinha qualquer publicação. O evento francês tinha uma hashtag (#HRTechWorld) e durante cada apresentação chegava a haver mais de 20 partilhas no Twitter associadas à mesma, gerando várias centenas de interações entre participantes. Em Portugal a sala estava cheia, estando o alcance das mensagens limitado a essa população.

No pós-evento, em Portugal, a organização partilhou algumas fotografias do dia, gerando alguns gostos e algumas partilhas, maioritariamente dos que participaram no evento. Em França foi criado um stream com os principais tweets e posts, ligados através da hashtag do evento, através da aplicação Storify. Resultado, novamente várias centenas de gostos e partilhas de pessoas de todo o Mundo.

 

A Transformação Digital em Portugal...

A Transformação Digital nas Organizações é um tópico quente em Portugal, mas mais uma vez denota-se um claro défice de competências, a chamada literacia digital.

O mais grave é que o problema não está nos organizadores de eventos, mas na nossa cultura nacional. Porquê? A minha experiência na organização de eventos (na área Gestão de Pessoas/RH) diz-me que mesmo quando são criadas as condições para a participação digital num evento, a adesão é bastante diminuta. E o motivo é a fraca base de utilizadores do Twitter em Portugal e a dificuldade (não foi criado para esse efeito) em partilhar e interagir de forma instantânea nos eventos do Facebook.

Claramente podemos/devemos começar a viver os eventos de forma diferente e os HR Marketers serão uma resposta clara a esta lacuna. Pronto/a para começar?


Texto orginalmente publicado no Linkedin.

Fonte da imagem: www.smartmajority.com

Escrito por

Alina Oliveira

Autora do livro “ Resiliência para Principiantes” – ed. Sílabo, 2010.Sou formadora e consultora nas áreas da gestão e liderança de equipas, resiliência, comunicação e gestão de conflitos, gestão do tempo, resolução de problemas, relações cliente/fornecedor.Um dos temas que mais me apaixona é a Resiliência, o que me levou a escrever um livro sobre essa temática: “Resiliência para Principiantes”.
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